quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Arrancando a Raíz Louca


Difícil demais isso de arrancar raíz.
O risco de perder a planta inteira é...

Raíz pro lado de fora, virar pro alto,
fincar nas estrelas,
deixar que o mundo lhe acalente
o crescimento...

E o medo de cair? E entrar de novo
no antigo buracocicatriz?
Não conectada à antiga marca,
a alma cava em si...

Atravessa-se e ruma ao...

Se sobrar algo, queimo
Pois é melhor queimar esse mato
E que belas chamas...

Preciso fazer uma bela tumba
sobre este buraco morto

Enfeitar sua memória
com minha primeira nova flor








O Enigma Entrelaçado


Ante o abismoceano
Um altar de duas árvores

Uma apinhada de jaboticabescas uvas

A outra idêntica
Com abelhas em flor

Existe também uma travessia aqui
onde duas crianças te acompanham:

Uma faz graça á beira do arriscar
A outra mergulha no incerto
e é seu filho

Mergulhando e com um pouco de sorte,
o resgata das profundezas
enquanto os espera a outra criança

Depois da travessia: um mar paraíso

E acorda e é
E almoça e é

Então, em meio a um ato falho fatal
É expulso da mãe

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009


Patapata


Olha!

As cebolas de mel

Mel tá fazendo aqui

Mel tá rodando

O mel cresceu!





Arthur Awen

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Adeus nosso de cada dia



Vida. Conjunto que no todo é despedida, um imenso adeus subdividido em bilhões de despedidas menores, um tipo de mosaico de tchaus.

Já notou o quanto superestimamos os pensamentos?

Parece até que são tudo, algo muito superior e bla bla bla. Mas não passam de linguagem, representação, flauta, pena, pincel, martelo etc. Não nego que sejam sofisticados , mas não são o que mais importa. Vale o que está por trás de cada idéia, do que a levou ao nascimento, o que dela se fez, o que aconteceu a partir o que se fez. Idéia sem movimento é um livro fechado, guardado num baú lacrado e enterrado na lua.

Movimento. O fechar que é também um abrir de portas novas. Novas imagens, pessoas, situações, aventuras, deleites, experiências, saberes, decepções, morrer e renascer... Tudo isso só freiado quando de encontro ao muro do que ficou para trás.

Os velhos confortos do ninho anterior, a dureza aquecida e a proteção que não protege de si mesmo, o doce sabor da casca que sempre foi tão boa de se lamber. Disso só lembrança, glorificada ou não, volta não há.

Acessar as velhas vantagens não há como. Mas esse muro tem sua utilidade. É possível subir sobre ele e lá do alto observar ambos os lados. Futuro e passado. Ontem e hoje. É possível levar mais gente pra lá também, sentir o vento no rosto que só a altura avantajada do muro nos permite sentir.

É possível avistar até mesmo o céu estrelado, sem precisar olhar para o alto. Basta vê-lo refletido no espelho das águas, que mesmo turbulentas refletem...

Quando se pega jacarés no mar estrelado, é interessante que não precisamos nos esforçar muito, sobretudo quando a onda é grande demais pra termos pleno controle de seus desdobramentos. Então o jeito é dar um leve impulso adiante, abrir bem os olhos para não perder nem o mais mísero instante piscado e então deixar-se levar, na velocidade, na altura, na fluidêz sem futuro.

Também é possível furar a onda, quando esta é grande demais, mas é sem graça e mais apropriado á frangos dágua. Melhor mesmo é pegar carona e viajar em sua crista.

Talvez algum dia outra apareça, ainda maior ou menor, sei lá. Então voltamos para o mar e nos preparamos para mais um impulso.

Nunca uma onda é igual a outra. Todas começam e terminam e começam e...

Jamais param de morrer e nascer e...

Eu?
Parar de nascer (e morrer e...)?

Nem!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Lughnasadh



Teologia sem mistério


A igreja inventou o verbo excomungar

no dia em que o Diabo inventou o padre