quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O Saco do Louco



“E ao parar ante aquele lugar que outrora fora verdejante e soberbo, agora só restavam arames farpados, câmeras de segurança e restrições explícitas por toda parte. E ao tentar desafiar o caos das ondas do mar que parecia calmo e, próximo a ele, instalar sua barraquinha, com todas as suas coisitas especiais e tudo mais, não teve jeito, o mar veio com tudo, abocanhando sua estabilidade e levando seu abrigo embora. Sorte que deu tempo de colher o que sobrou, algumas coisas pra lá de essenciais, ainda que alguém de fora jamais entendesse o porquê. Afinal, nosso mundo é tão utilitário e a magia (poesia?) tão inútilmente sublime...” Adaptado de um recorrente sonho de minha irmã



Na vida existe uma fase onde buscamos ávidamente o novo. Mesmo que alguns o façam a vida inteira, parece haver um momento onde nada ainda é fixo, as coisas vão caindo e vamos catando, desesperados e delirantes. E tudo parece eterno... Até quando as coisas vão se revelando como elas são. Você pode tentar tapar os olhos ou concentrar-se em outra coisa, mas está lá: ilusório, efêmero, mutável. É impossível nos fixarmos e isso gera neuras sem fim. Para sobreviver, muitos se anestesiam, outros se enterram em trabalho, alguns até enlouquecem ou se matam. Tudo por não conseguir se firmar. Mas há uma alternativa, assim como para a lagarta existe a mariposa.


O Louco sempre foi uma carta fascinante do tarô. Já escrevi um conto sobre ele, refleti um bocado nesses anos todos, já o usei indiscriminadamente em minhas narrativas sob as mais diversas máscaras. E claro, também já usei sua máscara e sei que o poder deste arquétipo é realmente algo de outro mundo. No entanto, em minhas análises, sempre foquei na incrível sorte do louco, algo similar a sorte das crianças e dos bêbados. Nisso e mais o fato de ser uma carta limiar no tarô, isto é, está antes do início de tudo, como um tipo de sopro criador que faz brotar o arquétipo das iniciativas poderosas: O Mago. E mais, vem depois da carta: O Mundo, que é um símbolo de equilíbrio e plenitude sem parâmetros. Por isso o chamo de “carta limiar”, pois trata-se de um arquétipo que se posiciona antes do início e após o fim de tudo.


Na figura do Louco, não importa em qual tarô, sempre haverá alguns elementos chave que não podem ser mudados. Três se destacam: O abismo sobre o qual ele cambaleia, sem jamais cair; o cachorrinho que o segue, muito fiel e o saco que carrega nas costas. Podemos imaginar o que o abismo representa, pois são muitos os perigos que o mundo nos traz e o louco sem muito pensar, vai seguindo despreocupado e, por incrível que pareça, não cai. Mas e enquanto ao cãozinho e o saco?


Vou começar pelo cãozinho. Já notou como eles de fato seguem mendigos, alguns bêbados e gente largada por aí? Embora ignoremos sua importância, ela saltará ante nossos olhos se dermos a esse símbolo sua devida atenção. Os cãezinhos de loucos são fiéis, isso é, não se importam com sua roupa, com o que você diz ou com o que os outros acham. Pode-se dizer que lhes dão amor, pois jamais os abandonam, os protegem durante o sono e servem de batedores durante as andanças. Certamente a presença do cãozinho é fundamental pra que o louco não caia em abismos assim de graça.


Certo, sabemos que o amor do cãozinho é incondicional, mas para garantir a sua compania é preciso algo mais. Trata-se de dividir com ele seu abrigo, seu alimento e sua atenção. Nesse ponto dá pra entender um pouco a importância do saco do louco. Dentro dele estão coisas essenciais, o verdadeiro alimento da alma, isto é, do cãozinho. Enquanto o louco mantiver o seu saco cheio deste alimento encantado, poderá sobreviver e manter o cãozinho ao seu lado, o qual continuará por guia-lo, ama-lo, acalenta-lo e o melhor, ajudando-o a farejar mais do essencial alimento, mantendo assim o ciclo. O louco só perde esse poder ao se esquecer disso, de cuidar de seu cão.


Conosco é a mesma coisa. Dá pra sobreviver ao mar do caos e evitar o abismo de neon se nos firmarmos na essência por detrás das ilusões, tomando o cuidado de guarda-las conosco em nosso “saco” e alimentando com ele nossa alma, o que a fidelizará e a manterá como nossa guardiã. Todos nós temos um cãozinho como este, ainda que o deixemos dormir na chuva ou a milhares de quilômetros de distância, esquecidos e largados. Ainda assim permanecerão fiéis quando com eles nos encontrarmos. Se perdeu o seu, prepare o seu saco e ele reaparecerá. E quando isso acontecer, continue a reabastecer o saco e alimenta-lo, que ele nunca sairá do seu lado e a jornada será certamente segura e inspiradora.


Mas o que colocar em nossos sacos de louco? Pense no que é essencial pra você: livros, filmes, fotos, música, pessoas, idéias, tudo. Mantenha sempre com você, se não físicamente ao menos firme nos pensamentos. Alimente-se disso todos os dias, sem falta. Resumindo: Não se esqueça do seu cãozinho, pois ele jamais se esqueceu de você.


Outra coisa que não poderia deixar de fora deste texto é o ponto onde esses pensamentos começaram a vir á tona. Estava pensando sobre a importância dos bardos para os celtas no mundo antigo e para toda a idade média logo após. Pois então, agora pensemos na importância da arte para um mundo capitalista e cheio de reverência á vazios bonitos de se comprar e pôr na sala de estar. Acredito que hoje os bardos sejam ainda mais importantes do que já foram, mesmo que não sejam reconhecidos. Para os aspirantes a bardos, o saco dos loucos é certamente ainda mais fundamental. A diferença que existe entre o louco e o bardo, no entanto é a mesma que diferencia o primeiro de seu arcano seguinte: o Mago.


O louco é inspirado e iluminado, mas não toma iniciativas importantes para o mundo. Já o mago é a iniciativa personificada, assim como o bardo, com sua arte ambulante. Deste modo, pode-se dizer que enquanto o louco guarda o conteúdo de seu saco para si e seu cão, o bardo faz o mesmo, mas não se esquece de dividir o conteúdo de seu saco e produzir ainda mais alimento para os que o rodeiam. Muitos não verão o que ele distribui, ou jogarão fora com o desdém de quem recebe panfletos de crentes na rua. Mas alguns se alimentarão... Consequência (quando dá certo): O mundo brilhará um pouco mais, com tonalidades novas e únicas, pois mais cãozinhos perdidos serão encontrados enquanto muitas porcarias serão convenientemente perdidas.


O que está esperando? Seja louco ou seja bardo, mas seja! Corra e vá fazer o seu saco!


1, 2, 3, agora!!!




quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A Arte do RPG



Venho tentando abrir espaço em meio a tanto pensamento espremido, tanto cotidiano espremendo, tanto tempo que se esvai nos levando aos pouquinhos pra morte. Nossa Mãe, venho tentando faz uma data... E aqui estou... Finalmente começarei um texto (ou sequência de textos) sobre a mais underground de todas as manifestações artísticas. E não, não estou falando de quadrinhos... Mas de RPGs, ou Roler Playing Games. Traduzindo: Jogo de interpretação de papéis.

Nesses 15 anos como narrador, pode-se dizer que tenho alguma reflexão com base empírica, portanto não vou fazer tese de mestrado não, apenas um ensaiozinho dizendo o que penso, que já está ótimo. Primeiro vamos às polemizações que tenho visto com o passar dos anos. Entre aqueles que curtem o tema e sabem sobre o que se trata (ou que não curtem e não sabem) existem os que denomino de Curtidores, Artistas e Exorcistas. E não adianta dizer que se pode ser um pouco de cada, pois no fim das contas predomina uma visão ou outra.




Curtidores são aqueles que vêem no RPG um espaço para o mais puro entretenimento. Para esses, trata-se de um espaço para socializar, dar risada, beber, vivenciar histórias bacanas, mas enfim, não estão preocupados com aspectos estéticos e jamais viram neste jogo a possibilidade de uma manifestação artística. Na verdade os curtidores detestam a possibilidade de mesclar filosofia, existencialismo e outras inovações do gênero às suas aventuras povoadas de dragões, poderes encantados, guerreiros em masmorras, vampiros e lobisomens. Para os curtidores, inovar não importa, desde que se mantenha alto o grau da diversão, de modo que inovação para eles não passa de uma mudança de roupagem e um leve ajuste no tema.


Artistas são o outro lado dessa história. Trata-se daqueles que buscam algo mais no que jogam, transcendendo não apenas temáticas e enredos, mas mesmo regras, estruturas e seu próprio potencial narrativo, seja como narrador principal ou como os narrador-jogador. Faço parte desse grupo, pois sei que arte não é apenas o que está preso nos museus, passando nos cinemas, vendido nas livrarias etc, mas algo que engloba manifestações criativas de maneira universal, tendo como regra a presença constante da criatividade e da inspiração, além de um público por menor que seja. Quando se assiste a um bom filme ou se escuta uma música incrível e aquilo nos arrebata para além das esferas banais do pensamento, pode estar certo de que vivenciou, ainda que mais passiva do que ativamente, uma experiência artística genuína.




Num RPG voltado para a arte, o mesmo se sucede várias vêzes, embora com uma diferença fundamental: É mais ativo do que passivo, o que o diferencia de todas as demais manifestações criadoras, conseguindo a proeza de se mesclar mensageiro e receptor num só ser. Pode parecer pretensioso, e talvez seja, mas pra mim isso acaba dando margem pra que ele se torne o Santo graal das artes até então, pois além de ser pouco divulgado, de difícil acesso e impopular, ainda por cima tem a grande maioria de seus adeptos do lado dos Curtidores, o que dificulta aos novatos ver algo além de dados e pancadaria. Já para os que tem a sorte de chegar até a este Alto-RPG, porém, só posso dizer estes são privilegiados. Os primeiros apreciadores de uma arte que ainda é embrionária e cujo potencial é infinito.



Em última instância estão os Exorcistas. Existem pessoas que nunca ouviram falar nisso ou que simplesmente assumem não saber do que se trata. Mas os que denomino de Exorcistas acreditam mesmo saber do que falam, mesmo que tenham como única base notícias distorcidas de jornal (basta ver o acompanhamento da mídia quanto ao caso do assassinato ocorrido em Ouro Preto a alguns anos atrás) e em preconceitos morais e religiosos. Então, com base nisso, elas pregam contra, fazem protestos, entram na justiça, levantam tochas e seguem em frente! Destes tenho grande pena. Saber do que se trata e se posicionar ou meramente assumir sua ignorância quanto a um assunto é uma coisa, mas condenar cegamente é outra completamente diversa.




Tudo isso me faz lembrar da idade média, nos bardos e em toda a riqueza da tradição oral que a muito foi deixada de lado por essa humanidade letratada e imagética da qual fazemos parte. Era impressionante o quanto as palavras eram temidas e o quanto eram temidos aqueles que as manipulavam. As vezes acho que tudo isso está relacionado. Que o Rpg é o caminho para a Arte com A maiúsculo, pra mim já parece claro e sei que os que véem neste jogo algo que vai muito além de um jogo, conseguem ter um vislumbre similar. Os Curtidores se apegam tanto no fator "jogo" e nas questões do entretenimento, que parecem temer dar um passo além de si mesmos e possívelmente esse conceito os acompanha também em relação a outras manifestações artísticas e culturais. Temor semelhante marca os Exorcistas, mas eles levam esse medo às últimas consequências, levantando bandeiras e criticando o que não entendem. O temor e o poder que tal temor representa. A aura de superstição, que para alguns é vivenciada com intensidade, por outros é disfarçada pelo abafamento, muito conveniente, do entretenimento. Percebem o quanto tudo isso parece medieval?





Agora, podem vir com argumentos do tipo: "Ele deixa de fazer outras coisas para jogar RPG, trabalhar é mais importante que o RPG, deixa de namorar pra jogar RPG etc, oh, que terrível!" Certo. Mas se o sujeito fosse um músico, ainda que medíocre, todos diriam: "Veja, como é dedicado... deixa de fazer outras coisas para tocar sua música... ás vezes troca o trabalho e os estudos para se dedicar à música... Oh, como é dedicado..." Percebem a diferença? Não se trata de um ser arte e o outro não. Trata-se de bem e mal, luz e sombra, dinheiro bruto e inspiração pura... Enfim, preconceito.

Não deixo de amar música, literatura, teatro, quadrinhos, cinema etc, por causa da arte rpgística, mesmo porque me inspirar nelas (e usa-las dentro do jogo, mesclando tudo à narrativa) é fundamental para se chegar ao Alto-RPG. Mas afirmo com todo orgulho: No mundo da arte, já fui arrebatado por textos de Borges, poemas de Fernando Pessoa, músicas de Bethoven e Stravinsky, peças de Shakespeare e Nelson Rodriques, quadrinhos de Alan Moore, Neil Gaiman, filmes de Felinni, David Lynch e enfim, muitas outras manifestações altamente poderosas e inspiradoras. Mas houve experiências no campo do RPG que não só foram além, como também seriam intraduzíveis em outras áreas... Isso mesmo que você acabou de ler: Além! E é por isso que afirmo-o não como arte, mas como Arte! E truco!



Agora, se você quiser continuar a vê-lo como um nada que não contribuirá para o enriquecimento de sua vida e por isso não lhe interessa; uma tarde de diversão jogando dados e dando risada enquanto contam histórias juntos, mesmo que viva afirmando que isso não é mais importante pra você do que seu video-game; Ou pior, coisa do demônio! Queimem os livros, arranquem suas línguas com alicate etc... Tudo bem... O ônus será inteiramente seu!

Mas me enche de felicidade saber que, graças aos Deuses, não morrerei sem ter aprendido o prazer de ler um Guimarães Rosa, ouvir um Astor Piazolla tocando acordeon, dar deliciosos beijos na boca sob o luar, tomar um bom café vendo o entardecer e, claro: Ter sido apresentado ao bom e velho RPG e estar continuamente buscando dar um passo além dele, da mera diversão e dos dados.

Longa vida à mais antigamente nova de todas artes! Longa vida ao RPG!


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Taticas de sobrevivência para reinar sobre o caos reinante - parte 2


"Foi lhe dado um certo grau exaltado, pelo qual o homem se torna o mestre do conhecimento e da inteligência, e não mais o seu escravo"

Aleister Crowley - Liber Vel Causae


O que você verá a seguir é um tutorial prático pra que se proteja do excesso de informações do mundo pós-moderno, usando-o a seu favor e em favor de uma boa produção artística, seja no campo das artes visuais, da música, das letras, da oralidade etc. É simples e prático, portanto bom proveito!


1)Abra uma pasta em seu computador e coloque o nome SUBLIME (assim mesmo, em letras grandes). Deixe-a em destaque.

2)Dentro da pasta, abra uma subpasta chamada Música Sublime. Dê uma bela olhada em todos os seus discos, seja em mp3, cd ou o que for, selecionando todas as músicas que lhe inspirem idéias e sentimentos grandiosos.

Lembre-se, isso não é uma playlist qualquer, mas um aparato de inspiração, trate-o como tal. Além disso, essa pasta não ficará pronta da noite para o dia, mas construida aos poucos, embora possa ir sendo usada desde já, sendo atualizada de tempos em tempos.

3)A pasta Música Sublime deverá ser guardada também no I-pod e (ou) num cd ou dvd, além do computador, de modo a ficar sempre de fácil acesso.

4)Faça o mesmo com relação a filmes, livros e mesmo artes plásticas, abrindo pastas como: Textos sublimes, Filmes sublimes, Fotos sublimes etc, de modo que possa consulta-los sempre que for necessário. Mantenha as atualizações do mesmo modo que na pasta musical.

5)A pasta matriz (a do computador) poderá ser usada sempre que se precisar de inspiração de longo prazo, coisa que bons textos e filmes podem fazer. E com "bons" não estou necessáriamente dizendo "erudito". O que importa é a inspiração que aquilo te gere, portanto deve-se ser fiel a si mesmo na hora da escolha, mais do que a um determinado padrão estético ou tema.

6)Já a subpasta "Música Sublime" deverá estar sempre á mão, não apenas pra quando se precisa de inspiração a longo prazo mas principalmente pra quando se precisa pra AGORA. Escute a música e seu foco se reestabelecerá, mesmo que esteja afogado no mar da informação. Com o foco estabelecido, sente-se e faça o que precisa fazer: escreva, desenhe, faça música, amor, o que quiser...

Mas não guarde a inspiração gerada só para si, divida-a com o mundo pra que ela se dissemine, como um tipo de vírus inspirador...

7)Ah, e não se esqueça:

a)Mantenha a pasta sempre atualizada e de fácil acesso.

b)Faça Backup mensalmente para garantir que seu artefato inspirador não se perca por aí.

c)Repito: Inspiração não é pra se guardar, mas pra compartilhar... Mãos a obra!!!



quarta-feira, 22 de julho de 2009



O chão se rachou entre eu e aquele antigo quarto
Mas ela me pediu que não tivesse medo

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Zé Côco do Riachão


O texto a seguir não é meu, mas tirado do blog: http://www.boamusicaricardinho.com
Decidi não alterar nada visto que não foi necessário. Não entendo muito de viola, simplesmente corro atrás daquilo que minha sensibilidade musical indica que merece alguma atenção.

Descobri Zé Côco com meu irmão, Flavim, ele sim um grande entendedor de viola e dos grandes violeiros. E a ele (e aos amantes de boa música que acessam vez por outra este blog) dedico este texto e um excelente disco deste cara. O link está no final...

"Artista do povo da maior importância, Zé Coco tem uma técnica de execução à Viola tão desenvolvida que lhe permite tocar certas peças fazendo solo e acompanhamento ao mesmo tempo, e seus talentos são tantos que em uma das faixas do disco - a intitulada "Guaiano em Oitava"- ele aparece não apenas na Viola-Solo e fazendo a Viola-Base, mas ainda tocando Rabeca, Caixa de Folia e Pandeiro".

O comentário acima é do Jornal do Brasil feito pelo renomado crítico musical José Ramos Tinhorão que considerou "Brasil Puro" (o primeiro LP de Zé Coco do Riachão) como sendo o melhor do ano na categoria autenticidade. E Tinhorão foi mais além afirmando que "quem um dia se deleitou com a festa banjistica do som country do LP americano "Dueling Banjos", lançado pela WEA em 1978, na certa sentirá um frissom ao descobrir a extraordinária semelhança de efeitos da música dos Caipiras do Sul dos Estados Unidos com a Viola de Zé Coco".

José dos Reis Barbosa dos Santos nasceu no ano de 1912 em Brasília de Minas-MG, na localidade de Riachão, no Vale do São Francisco, e faleceu em Montes Claros-MG no dia 13/09/1998.

E quando Zé Coco estava nascendo, passava por perto uma Folia-De-Reis e o menino foi consagrado por sua mãe aos Santos Reis, por isso José "dos Reis" foi o seu nome registrado no cartório.

Além de Compositor e também fabricante e tocador de Rabeca (espécie de Violino Caipira), Viola, Violão e Cavaquinho, Zé Coco foi também marceneiro, carpinteiro, ferreiro, sapateiro e fazedor de cancelas, carro de boi, roda de rolar mandioca, etc.

Aprendeu a tocar Viola com seu pai, que também construía o tradicional instrumento musical. Até que num belo dia, seu pai havia construído e encordoado uma nova Viola, e, quando saiu para guardar as ferramentas, Zé Coco pegou e tocou o instrumento...

- QUEM TOCOU A VIOLA???!!!

- F-Fui eu... - respondeu o menino assustado que, antes de pegar no instrumento, havia decidido "...pegar essa viola e tocar aquela música que meu pai tocou...", nem que apanhasse...

E foi então que seu pai pediu para que ele tocasse novamente e... acabou dando a nova Viola de presente para Zé Coco do Riachão!

Zé Coco acabou assumindo a pequena fábrica de instrumentos musicais de seu pai com 20 anos de idade.

Não sabendo ler nem escrever, Zé Coco adquiriu sua habilidade do próprio convívio com os instrumentos musicais, sem nenhum estudo formal. Apesar disso, ele compôs em diversos estilos (dentre eles, Lundus, Mazurcas, Dobrados, Guaianos, Corta-Jacas, Calangos, Maxixes) com talento genuíno e apurada sensibilidade. Segundo ele, a única ajuda recebida foi "através de uma simpatia tradicional entre os violeiros do Vale do São Francisco: pegar uma cobra e passar entre os dedos. O resultado é a facilidade que o violeiro terá em tocar seu instrumento..." Em outras palavras, um "pacto com o coisa ruim"... que faz parte do Folclore da Viola Caipira...

Não teve nenhum professor, mas Zé Coco do Riachão ensinou muita gente a tocar viola! E deixou discípulos em diversos cantos do Brasil, principalmente nas Gerais, bem como nos Estados de São Paulo e Goiás. Dentre seus discípulos, podemos citar excelentes músicos dessa nova geração de Violeiros e Rabequeiros, tais como Marimbondo Chapéu, Sinval de Gameleira, Paulo Freire, Roberto Corrêa e Chico Lobo.

Zé Coco viveu até seus 68 anos como luthier, praticamente no anonimato, construindo e consertando instrumentos musicais e também animando bailes na região. Também compunha, mas muitas das suas composições acabaram se perdendo por falta de registro.

Zé Coco expressou também a possibilidade da união do Erudito com o Popular sem que nenhum dos estilos fosse descaracterizado.

Zé Coco do Riachão foi descoberto quando já tinha quase 70 anos de idade, por Téo Azevedo, repentista e pesquisador de Cultura Popular e que foi também quem lhe deu o apelido "Riachão"! E Zé Coco gravou três discos: "Brasil Puro" (Rodeio/WEA em 1980), "Zé Côco do Riachão" (Rodeio/WEA em 1981), e "Vôo das Garças" (Rima em 1987), por sinal, o que Zé Coco mais gostou por ter saído "...do jeitinho que eu queria e não tem gravadora no meio..." E até o momento, somente o "Vôo das Garças" é que foi remasterizado em CD (pela Lapa Cia de Ação Cultural em 1997) e com acréscimo de três músicas inéditas até então: "Moda Prá João de Irene", "Amanhecendo" e "Minha Viola e Eu". Zé Coco, no entanto, deixou muitas musicas que se perderam sem gravação...

Foi o jornalista Carlos Felipe que conseguiu patrocínio para lançar os dois primeiros discos de Zé Coco em 1980 e 1981. Já no "Brasil Puro" que foi seu primeiro LP, a crítica foi praticamente unânime, considerando-o um verdadeiro achado como expressão da nossa Cultura Popular. Como exemplo, ver no início desse resumo biográfico o comentário de José Ramos Tinhorão no Jornal do Brasil!

Fora do Brasil, Zé Coco do Riachão também tem seu valor musical reconhecido como por exemplo uma equipe de reportagem da TV Alemã que o considerou como sendo o "Beethoven do Sertão" (a partir de um filme com Téo Azevedo sobre Cantigas de Vaqueiro, produzido por Dr. Ralf do 1º Canal de Baden-Baden). Há quem diga também que Zé Coco está para os Violeiros assim como Jimmy Hendrix está para os guitarristas!

Apesar de tal prestígio, Zé Côco morreu na pobreza. Deixou, no entanto, um Patrimônio Cultural inestimável, além de um lote de 1000 CD's, do trabalho que havia sido recém remasterizado do terceiro LP, "Vôo das Garças". Conta-se que esse lote de CD's ainda está encaixotado na casa de sua filha Luisa Soares, em Montes Claros-MG, à espera de quem quiser preservar o que restou do excelente músico.

Em 1997, ano anterior ao seu falecimento aos 86 anos, vítima de um derrame, Zé Coco do Riachão participou de um excelente show no Sesc-Pompéia em São Paulo, ocasião na qual a gravadora Núcleo Contemporâneo lançou o valiosíssimo CD "Violeiros do Brasil", uma edição inédita que reuniu importantes artistas da Viola Caipira de diversas regiões do Brasil.


Agora sim, o disco:











sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A mais linda do Multiverso!!!



O que daremos pra mamãe de aniversário, Arthur?


Bibi de adulto pra mamãe, carteira, dinheiro!
Computador, celular, Brasil!
Um copo de niversário também, sacola...
Refrigerante de uva, jacaré de brinquedo de adulto,
os carrim de adulto (só carrim de adulto legal vermelho)!

AMOR!

CARINHO!

(ATCHIN!)

SAÚDE!

E mochila de adulto de niversário
também...

Cabô!

Assino embaixo de tudo o que meu filhão te desejou
e multiplico ao infinito!
Beijo demorado na minha gata!
Te amo demais, nunca se esqueça!





quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009